CONSUMO
Colecionismo e Nostalgia Impulsionam o Consumo de Formatos Físicos Entre a Geração Z
Jovens da geração Z, impulsionados pela busca por conexão e experiências sensoriais, redescobrem o vinil e outras formas de mídias físicas.
Por: Cleonice Azevedo • 25 de mai. • 3min de leitura
Novamente, a vitrola ocupa espaço na rotina de jovens consumidores, unindo experiência musical e valor afetivo em um único objeto./ Foto: Banco de imagens WIX.
O retorno das mídias físicas não é apenas uma tendência passageira, mas um fenômeno que revela mudanças no comportamento cultural da Geração Z. Em meio à praticidade quase absoluta das plataformas de streaming, jovens entre 18 e 25 anos têm redescoberto o vinil e o CD como formas mais tangíveis de se relacionar com a música.
Para muitos, o interesse começa pela curiosidade estética ou pela influência de redes sociais, mas rapidamente se transforma em hábito. Capas, encartes e até o ato de colocar o disco para tocar fazem parte de uma experiência que o digital não oferece.
De acordo com a pesquisa Engaging with Music 2022, da IFPI, considerada um dos maiores estudos sobre consumo musical no mundo, existem diferentes razões que levam as pessoas a consumir discos de vinil. Entre elas estão o desejo de possuir a música em formato físico, o apreço pelo ritual de ouvir um disco e o interesse pelos encartes e elementos visuais dos álbuns.
Em meio à praticidade quase automática do streaming, cresce também o desejo por experiências mais intencionais e afetivas com a música. Entre coleções, ritual de escuta e apoio direto aos artistas, o formato físico passa a representar uma relação mais próxima entre público e obra. Para o estudante Luiz Neto ouvir música em vinil transforma completamente a maneira como o álbum é consumido.
"A compra do vinil também representa uma forma de apoiar financeiramente seus artistas favoritos, diferente de ouvir um álbum inteiro, sem pular faixas”, relata Luiz.
Esse movimento também se reflete no mercado. Segundo Marcelo Andrade, proprietário da loja de artigos retrô, Caverna do Disco, o público jovem tem sido responsável por impulsionar novamente o mercado de vinil, afirma.
“Muitos chegam aqui pela estética ou pela curiosidade, mas acabam criando uma relação afetiva com o disco. Hoje vemos adolescentes e jovens adultos procurando álbuns completos, edições especiais e até toca-discos. É um consumo mais ligado à experiência do que apenas à praticidade”
Especialistas apontam que o retorno ao analógico pode estar ligado à baixa demanda salarial proposta pelas plataformas digitais. Em um cenário marcado pelo excesso de estímulos e pela rapidez do consumo, o ato de ouvir música de forma mais lenta e intencional surge como contraponto. Mais do que nostalgia, trata-se de ressignificação com uma geração nativa digital buscando, no físico, novas formas de identidade e pertencimento.
Assim, o crescimento das mídias físicas revela n ão uma rejeição ao streaming, mas uma convivência entre formatos. Enquanto o digital garante praticidade no cotidiano, o vinil e o CD ocupam um espaço afetivo, simbólico e cultural. Nesse equilíbrio, a Geração Z redefine sua relação com a música e mostra que, mesmo na era da tecnologia, ainda há valor no que se pode tocar.