MERCADO
Mídias Físicas Voltam a Crescer e Viram Estratégia de Receita no Mercado Musical
Mesmo com o domínio das plataformas digitais, vinis e CDs ocupam espaço estratégico e financeiro na indústria musical.
Por: Ana Carolina Melo • 25 de mai. • 2min de leitura
Gráfico feito por: Equipe Fora da Nuvem
O crescimento do streaming transformou o consumo de música, mas também expôs o baixo retorno financeiro por reprodução. Segundo dados da IFPI, o mercado global de música gravada cresceu 6,4% em 2025. No Brasil, o setor já movimenta mais de R$4 bilhões, de acordo com a Pro-Música Brasil.
O desafio do retorno financeiro no digital
Para muitos artistas, apenas o digital não gera o retorno desejado. É aqui que as mídias físicas reaparecem como estratégia para aumento de receitas. O produtor musical André Cortada explica que o streaming exige volumes quase inalcançáveis para a maioria.
Para profissionais da indústria fonográfica, as mídias físicas representam uma alternativa de monetização em um momento de domínio das plataformas digitais./ Arquivos pessoais: André Cortada.
“Para você ganhar cerca de R$15 mil, precisa de aproximadamente um milhão de streamings. É muito difícil para um artista médio chegar nesse número”, afirma Cortada.
Diante desse cenário, o físico ganha relevância. Segundo ele, um único vinil pode gerar um retorno financeiro muito maior do que milhares de cliques online.
“Em vez de depender de dezenas de milhares de pessoas ouvindo sua música, você precisa que um fã compre o disco. A mídia física vira um negócio”, completa o produtor.
Além do lucro, a experiência sensorial
Mas a permanência dos discos não é apenas sobre dinheiro. Cortada aponta que existe uma necessidade do público de "materializar" a música. Além disso, a qualidade técnica pesa: plataformas de streaming costumam comprimir o áudio, enquanto formatos físicos preservam detalhes para uma escuta mais rica e imersiva.
Um cenário híbrido
Hoje, existe cenário híbrido, onde o streaming garante alcance e praticidade, enquanto o físico oferece exclusividade, valor emocional e novas fontes de receita. Com essa combinação, o vinil deixa de ser uma tendência passageira para se tornar parte de uma estratégia onde a música não é só ouvida, mas também vivida e colecionada.
PODCAST
Produtor musical avalia como o crescimento das vendas de vinis, CDs e edições limitadas ampliam receitas no mercado musical. / Arquivos pessoais: André Cortada.
Neste episódio de podcast, o produtor musical André Cortada musical aprofunda o debate sobre o renascimento das mídias físicas e o seu impacto no mercado fonográfico atual.