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COMPORTAMENTO

Idosos Enfrentam o Digital sem Abrir Mão das Tecnologias do Passado

Enquanto tentam se adaptar ao digital, muitos idosos continuam ligados às mídias físicas, não só pelo costume, mas pelas lembranças e histórias que carregam com elas.

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Idoso usando rádio

Por: Raissa Rito • 25 de mai. • 3min de leitura

Pessoas idosas mantém apego aos formatos físicos pela falta de adaptação aos meios digitais/ Foto: Banco  de imagens WIX.

Em meio ao domínio das redes sociais, aplicativos e plataformas de streaming, um movimento que parecia improvável voltou a ganhar força: o retorno das mídias físicas. CDs, discos de vinil e até DVDs voltaram a circular, impulsionados por consumidores que buscam mais praticidade no consumo de música e entretenimento.

O apego emocional às mídias e as dificuldades com o digital

A tendência não representa um abandono do digital, mas revela uma mudança na forma como diferentes gerações se relacionam com a tecnologia. Para muitos idosos, por exemplo, a conexão com objetos físicos nunca desapareceu. Discos, CDs e álbuns de fotos carregam memórias e experiências que vão além do conteúdo armazenado.

A aposentada Helena Muller explica que o apego às mídias físicas está ligado às lembranças construídas ao longo da vida. 

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A familiaridade com tecnologias do passado faz com que parte da população idosa preserve hábitos analógicos mesmo diante da digitalização e aceleração dos serviços comunicacionais./ Arquivos pessoais: Helena Muller.

“Eu posso até aprender a usar o digital, mas nunca deixaria de gostar dos meus CDs e discos. Escutava muito Gilberto Gil, Michael Jackson e Roberto Carlos nos vinis que eu trabalhava muito para conseguir comprar. Eles me fazem lembrar de tudo o que vivi”, compartilha Helena.

Esse vínculo afetivo ajuda a explicar por que a adaptação ao ambiente digital nem sempre é simples para pessoas mais velhas. A lógica das telas, marcada por atualizações constantes, excesso de informações e múltiplas funções, pode gerar insegurança. 

“É muita coisa na tela, muita opção… às vezes fico com medo de apertar algo errado”, relata Helena.

Além da dificuldade de adaptação, fatores físicos também influenciam nessa relação. Letras pequenas, excesso de brilho e longos períodos diante das telas podem causar desconforto visual e tornar a tecnologia menos acessível para idosos

Mesmo assim, o interesse em aprender continua crescendo. Muitos buscam dominar aplicativos e redes sociais para manter contato com familiares, acessar informações e acompanhar um mundo cada vez mais conectado. O principal desafio, segundo especialistas e usuários, está na forma de aprendizado, que muitas vezes acontece de maneira rápida demais e com linguagem técnica.

Nesse processo, os jovens acabam assumindo um papel importante. Familiarizados com a tecnologia desde cedo, eles ajudam pais e avós a entender funções básicas do celular, aplicativos e redes sociais. Ao mesmo tempo, também começam a perceber os limites do ambiente digital.

O estudante Henrique Moysés destaca a diferença entre os formatos. 

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Jovens da geração Z auxiliam idosos na inserção ao mundo virtual/ Arquivos pessoais: Henrique Moysés.

"A mídia física é presença, cria uma conexão maior. A digital é rápida, mas muitas vezes superficial."

A adaptação dos idosos ao digital costuma acontecer de forma gradual, baseada na repetição, na prática e no apoio de familiares. Muitos recorrem a tutoriais simples e aprendem no próprio ritmo. Esse processo mostra que, com incentivo e paciência, a tecnologia deixa de ser um obstáculo e passa a funcionar como ferramenta de conexão e inclusão.

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